Compositions, your teacher's feedback and ChatGPT


Assista o vídeo: https://youtu.be/Letl7sQ0XrQ



Grammar Drops
by Sergio Viula


Hoje é Holy Friday (Sábado de Aleluia), Easter holiday (feriado de Páscoa), e você deve estar se perguntando por que estou escrevendo esse post hoje? Afinal, eu descansar, fingir que a língua inglesa não existe, mas para não perder o hábito, resolvi trazer um tema importante — na verdade, dois: compositions (redações) e o tal do ChatGPT. E antes que alguém pense que eu vou demonizar essa
 ferramenta: calma. Não é nada disso. Talvez você até se surpreenda.

Vamos começar pelas compositions 
 as redações. Muita gente acha que escrever é algo ultrapassado, desnecessário, mas não é. E vale lembrar que escrever bem não se trata apenas de saber formar frases. É sobre se dirigir ao leitor apropriadamente ao leitor daquele texto em particular, porque cada texto tem um propósito e um público diferente.

Por exemplo, se você está escrevendo um e-mail informal para um amigo que se mudou para outro país — Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Rússia, China, tanto faz — o tom será informal. Algo como: “Hi Jack, how are you doing? I’m glad to write to you and share some news…”. Você vai perguntar como ele está, como está se adaptando, e vai encerrar com “write back soon”, seguido de algo como “best”, “best wishes”, “greetings” ou até um “cheers”, seguido de vírgula e com seu nome logo abaixo.

E mesmo aí já aparecem erros comuns. Tem gente que esquece de cumprimentar no início ou de encerrar corretamente, deixando a mensagem sem assinatura. Colocar só “cheers” e parar ali dá a impressão de que o email ficou incompleto. 

Agora, se for um e-mail formal, a história muda. Nada de “Hi Jack”. Use “Dear” + sobrenome + Mr. ou Ms. E, no final, nada de “cheers”. O adequado é algo como “Yours sincerely”, seguido do nome completo. Mas isso não é tudo. É preciso saber calibrar a linguagem para o estilo correto. 

Em textos formais, evite phrasal verbs. Em vez de “come back”, use “return”. Em vez de “watch out”, prefira “be careful” ou algo mais formal. Palavras de origem latina tendem a soar mais formais. Veja alguns exemplos de phrasal verbs substituídos por palavras mais neutras ou formais:

go up → increase
Prices went up last year. (informal)
Prices increased last year. (neutro ou formal)

find out → discover
They found out the truth. (informal)
They discovered the truth. (neutro ou formal)

put off → postpone
They put off the meeting. (informal)
They postponed the meeting. (neutro ou formal)

deal with → handle / manage
She deals with customer complaints. (informal)
She handles customer complaints. (neutro ou formal)

Outro detalhe importante: prefira advérbios. Em vez de “com atenção”, use “attentively”. Em vez de “com cuidado”, “carefully”. Pequenas escolhas fazem grande diferença, especialmente em textos formais. Por exemplo:

The assistant listened attentively to the client’s concerns.

Please fill out the form carefully to prevent errors.

Até aqui falamos de e-mails. Mas existem vários outros gêneros: artigos, relatórios, resenhas, etc. E por falar em artigo, um erro super comum no Brasil é a falta de título. Isso, em grande parte, é fruto da ideia propagada pelo Enem de que o título não é importante para a avaliação da redação. Mas isso é um disparate. Instituições como Cambridge, Oxford ou Harvard não dão à mínima para essa concepção e tiram ponto, sim, se o título estiver ausente ou se a redação não for coerente com ele. Mas não se trata apenas do que as universidades que avaliam proficiência pensam. Trata-se de algo já cristalizado: Todos esperamos ver um título antes de começarmos a ler qualquer artigo.

Trocando em miúdos: um artigo sem título é como uma minhoca sem anzol — não pesca nada. O título é a minhoca, mas o texto precisa fisgar o leitor desde a primeira linha. Ele tem que sustentar o que foi prometido pelo título. Não dá para anunciar uma crise corporativa e depois falar do seu produto favorito no portfólio daquela empresa. Isso é um artigo ou uma resenha, afinal de contas? Coerência é fundamental: uma boa introdução, desenvolvimento claro e um fechamento consistente.

Tive uma aluna que escreveu sobre uma crise em uma empresa de videogames. No final, destacou que, enquanto nada era resolvido, a empresa continuava lucrando milhões. Um fechamento excelente — sem solução, mas com um ponto crítico muito bem colocado. 

Já em um report (relatório), o texto precisa ser ainda mais objetivo. Use subheadings (subtítulos) para organizar as informações. E, claro, nada de linguagem informal. Em vez de “big profit”, use “substantial profit”. Isso muda o nível do texto.

Sobre essays, vale dizer que trata-se geralmente de algo mais acadêmico, ou seja, mais formal. A linguagem precisa ser adequada ao público. Não dá para falar com acadêmicos como se estivéssemos conversando com adolescentes. Em outras palavras, é preciso manter a consistência no estilo. 

Claro que existem artigos escritos especialmente para o público jovem, como em revistas juvenis, por exemplo. Nesse caso, a linguagem pode e deve ser mais coloquial, mais informal. Porém, até isso precisa ter consistência para que o texto não destoe da proposta original.

Existe também a review (resenha), que permite mais liberdade, mas ainda exige cuidado. Pode ser sobre filmes, livros, restaurantes, serviços — o que for. Mesmo sendo mais leve, pede domínio da língua e senso de medida, especialmente quando houver humor ou sarcasmo.

E como se desenvolve tudo isso? Escrevendo. Não tem outro caminho. Quem não escreve, não aprende. Desde criança foi assim: coordenação motora desenvolvida através de atividades de cobrir as linhas de um desenho,  depois as primeiras letras, depois as palavras e, por, fim as frases. Quando você aprende uma segunda língua, como o inglês, você já não precisa aprender o alfabeto — mas precisa aprender a usar as palavras corretamente na frase. A construção frásica vai de um simples "I am Brazilian" até frases intercaladas e bem conectadas com diferentes níveis de formalidade.

Isso exige tempo, atenção e, principalmente, nada de copia e cola.

Mas o ChatGPT pode ajudar? Claro que pode. E deve. Mas do jeito certo. Passe a fazer o seguinte como treinamento: Escreva o seu texto primeiro. Depois, peça a correção com explicações. Experimente um prompt como este: Corrija essa frase e destaque o que está errado, explicando porque está errado. Aí, escreva abaixo “He drove very quick.”  Só então, submeta o prompt. Ele vai mostrar que o correto é “quickly”, porque você não pode usar um adjetivo para descrever uma ação. É preciso um advérbio: quickly, não quick. E você pode pedir mais exemplos e aprofundar seu entendimento sobre esses aspectos da língua.


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Veja esse exemplo real com o ChatGPT. Acabei de fazer exatamente o que sugeri no parágrafo acima. Veja o resultado:

Prompt:

Corrija esse parágrafo, destacando os erros e explicando por que está errado: I love english, but i not talk very good. I need to practice more.

A reposta do ChatGPT:

✅ Versão corrigida:

I love English, but I don’t speak very well. I need to practice more.


🔍 Erros explicados:

  1. “english” → “English”
    👉 Nomes de idiomas em inglês são sempre escritos com letra maiúscula.

  1. “i” → “I”
    👉 O pronome “I” (eu) é sempre maiúsculo em inglês.

  1. “i not talk” → “I don’t speak”
    👉 Aqui há dois problemas:
  • Falta do auxiliar do/does para formar frase negativa no presente simples
  • Uso do verbo errado (talkspeak nesse contexto)

✔ Estrutura correta:

  • I do not (don’t) + verbo base

✔ Melhor escolha:

  • speak = habilidade geral no idioma
  • talk = conversa/interação

  1. “very good” → “very well”
    👉 “Good” é adjetivo (descreve substantivo)
    👉 “Well” é advérbio (descreve verbo)

✔ Aqui você está descrevendo como você fala, então precisa de advérbio:

  • speak well, não speak good

💡 Dica final:

Uma forma ainda mais natural seria:

👉 I love English, but I don’t speak it very well yet.

Esse “yet” dá a ideia de progresso — você ainda está aprendendo 😉


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Isso é aprendizado. Copiar e colar não é.

Não transforme o ChatGPT em vilão, mas também não o trate como salvador. Use-o como ferramenta. Faça ele trabalhar para você.

E não caia na ilusão de copiar textos. Já vi aluno entregar redação perfeita em casa, apesar de ainda lutar para usar estruturas básicas em sala de aula.

Por outro lado, já vi aluno escrever à mão, na minha frente, cometer um único erro, apenas usando o que já foi visto em sala de aula. Isso sim é aprendizado real.

Então, como aprender a escrever? Escrevendo. Não existe milagre, não existe atalho. Fluência oral ou escrita é construção diária.

Escreva toda semana, peça correção ao ChatGPT do jeito que eu indiquei acima. Depois, pegue as dicas dele e reescreva a mesma readação com os ajustes - e tudo isso à mão. Depois, leia em voz alta se possível ou jogue num leitor de texto e ouça a sua própria obra. Ficou satisfeito ou há o que aprimorar ainda? Se houver, aprimore.

Aliás, escrever à mão ajuda na memorização — isso já foi comprovado. Inclusive, países como a Suécia
 estão revendo o uso excessivo de tecnologia nas escolas.


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Para mais informações sobre isso, leia:

Por que a Suécia desistiu da educação 100% digital e gastará milhões de euros para voltar aos livros impressos?


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Tecnologia ajuda, mas não substitui tudo. A escrita é fundamental para o nosso desenvolvimento.

Se você tem um professor que corrige seus textos, valorize isso. Corrigir dá trabalho — muitas vezes mais do que escrever. Você escreve uma redação, ele corrige cinquenta. Se ele está disposto a ler o seu trabalho, aproveite.

Então, decida: você quer aprender inglês de verdade ou só encara seu curso como um hobby, ou suas aulas particulares como válvula de escape da rotina de trabalho? Porque se você quer mesmo fluência oral e escrita, você vai ter que se dedicar. E lembre-se: Quem fala e não escreve é, na prática, analfabeto na língua.

Escreva. Escreva. Escreva.

Mas peça feedback, seja ao seu professor, seja ao ChatGPT, mas aplique as sugestões. Isso é o que vai alavancar a qualidade da sua escrita.


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