O que aprendi no Cambridge Day Brazil 2026: inclusão, inovação e as novas tendências no ensino de inglês

O que aprendi no Cambridge Day Brazil: inclusão, inovação e as novas tendências no ensino de inglês






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Por Sergio Viula
Grammar Drops


O ensino de inglês está em constante evolução. Novas pesquisas, tecnologias e metodologias surgem o tempo todo, desafiando professores a repensar suas práticas e oferecendo aos estudantes experiências de aprendizagem cada vez mais significativas.

Foi exatamente isso que encontrei ao acompanhar praticamente toda a programação do Cambridge Day Brasil, um dos mais importantes eventos dedicados ao ensino da língua inglesa, e que celebrou neste mês de julho de 2026 sua 25ª edição. Durante horas de palestras e debates, especialistas da Cambridge University Press & Assessment, autores de materiais didáticos e educadores compartilharam ideias que certamente influenciarão o futuro das salas de aula.



Ao final do evento, fiquei com a sensação de que ensinar inglês hoje significa muito mais do que explicar regras gramaticais. Significa criar oportunidades para que as pessoas desenvolvam confiança, autonomia e um verdadeiro senso de pertencimento.

Um evento que reúne quem pensa o futuro do ensino de inglês

O Cambridge Day Brasil reúne professores, coordenadores pedagógicos, pesquisadores e especialistas para discutir tendências na educação linguística.

A edição principal deste ano aconteceu em São Paulo, com transmissão on-line para participantes de diferentes partes do Brasil e do exterior. Na véspera, o Rio de Janeiro também recebeu uma edição regional.


Programação do Dia 25/07/26


Um dos momentos de maior orgulho para mim foi saber da participação do IBEU (Instituto Brasil–Estados Unidos), representado por sua superintendente, Vania Furtado. Quem me contou sobre a excelente repercussão de sua apresentação foi meu colega Juan Garcia, professor do IBEU na unidade Tijuca e participante do evento presencial no Rio de Janeiro.


Vania Furtado, Superintendente Acadêmica no IBEU


Juan Garcia, professor no IBEU

É gratificante ver uma instituição brasileira contribuir de maneira tão relevante para um encontro reconhecido internacionalmente.

Encontrar os autores dos livros que usamos em sala de aula

Outro momento especial foi assistir às palestras de profissionais que influenciam diretamente o ensino de inglês em diversos países.

Entre eles estava Ben Goldstein, professor, pesquisador e coautor da série Evolve, publicada pela Cambridge University Press. Ouvir alguém que participa da criação de materiais utilizados por milhares de professores ao redor do mundo foi uma experiência inspiradora.

Foi interessante ver que muitas das ideias apresentadas por Ben Goldstein e materializadas na série Evolve também aparecem na coleção Shape It, apesar dos autores não serem os mesmos. Isso revela que trata-se de uma abordagem incorporada pela própria editora, que nesse caso é a Cambridge University Press. Tenho o prazer de usar ambas as coleções em minhas aulas no IBEU.


Ben Goldstein no centro.

Essa aproximação entre pesquisa acadêmica, desenvolvimento de materiais didáticos e prática em sala de aula é, sem dúvida, um dos grandes diferenciais da Cambridge. Não se tratava apenas de apresentar teorias, mas de compartilhar estratégias que qualquer professor pode colocar em prática imediatamente.

Aprender inglês é muito mais do que decorar regras

Uma das mensagens mais fortes do evento foi que ensinar inglês não significa ensinar listas de palavras ou coleções de regras gramaticais.

A gramática continua sendo importante, mas ela deve servir à comunicação.

O objetivo final é que o estudante consiga compreender, interagir e expressar suas ideias com segurança em diferentes contextos.

Quanto mais cedo o aluno percebe isso, mais natural se torna seu desenvolvimento.

Inclusão é importante. Pertencimento é ainda mais.

Uma das reflexões que mais me marcou foi a diferença entre inclusão e senso de pertencimento.

Incluir alguém significa abrir espaço.

Promover pertencimento significa criar um ambiente em que essa pessoa realmente se sinta parte daquele grupo.

Pode parecer apenas uma diferença de palavras, mas ela muda completamente a maneira como enxergamos a educação.

Quando um aluno sente que pertence à sala de aula, ele faz perguntas sem medo, participa das atividades, aceita cometer erros e aprende com muito mais tranquilidade.

Essa discussão ganhou ainda mais significado porque o Cambridge Day Brasil promoveu uma campanha solidária em favor da Casa 1, organização da sociedade civil localizada em São Paulo que acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas que sofreram rejeição familiar por questões relacionadas à identidade de gênero ou à orientação sexual.

Os participantes presenciais foram convidados a doar alimentos não perecíveis destinados à instituição.

Além do acolhimento, a Casa 1 desenvolve projetos sociais importantes, entre eles cursos gratuitos de português para imigrantes e refugiados. A proposta é simples e poderosa: dominar a língua do país é um passo fundamental para conquistar autonomia, dignidade e oportunidades.

Achei especialmente simbólico que um evento dedicado ao ensino da língua inglesa apoiasse uma instituição que promove inclusão por meio do ensino da língua portuguesa.

São iniciativas diferentes, mas unidas pela mesma convicção: a educação transforma vidas.

Afinal, pode usar português na aula de inglês?

Esse continua sendo um tema que desperta opiniões divergentes.

Minha posição permanece a mesma: quanto mais contato com o inglês, melhor.

No entanto, isso não significa que o português deva ser tratado como um inimigo.

Em determinados momentos, uma explicação rápida na língua materna pode eliminar uma dúvida que acompanharia o aluno durante semanas.

Um bom exemplo é o Present Perfect.

Muitos estudantes brasileiros aprendem que:

I have done = eu tenho feito.

Embora essa tradução esteja correta em alguns contextos, ela não explica todos os usos da estrutura.

Na prática, I've done também pode significar simplesmente:

Eu fiz.

Quando o estudante compreende isso logo no início, boa parte da dificuldade desaparece.

Depois, basta praticar a estrutura em situações reais, com perguntas personalizadas e conversas significativas.

Às vezes, trinta segundos de esclarecimento evitam meses de confusão.

Feedback em tempo real vale mais do que apenas uma prova

Outro tema recorrente nas palestras foi a importância do feedback em tempo real (real-time feedback) e da avaliação contínua.

Durante muitos anos, a aprendizagem foi medida principalmente por provas aplicadas no fim de uma unidade ou semestre.

Essas avaliações continuam sendo importantes, especialmente em instituições que precisam registrar oficialmente o progresso dos alunos.

Mas elas mostram apenas uma fotografia daquele momento.

A aprendizagem acontece todos os dias.

Cada resposta dada por um estudante, cada atividade em dupla, cada conversa em inglês, cada apresentação oral e cada pergunta feita durante a aula oferecem informações preciosas para o professor.

Esses pequenos momentos permitem identificar dificuldades, ajustar estratégias, revisar conteúdos ou propor novos desafios imediatamente.

Foi interessante perceber como essa abordagem está alinhada com a maneira como procuro ensinar.

Nas aulas particulares, por exemplo, raramente aplico provas formais. Ainda assim, avalio constantemente o desenvolvimento dos meus alunos observando sua produção oral, sua escrita, sua compreensão auditiva e sua capacidade de usar o idioma em situações reais.

Nas turmas maiores, naturalmente existem avaliações institucionais e um cronograma a ser seguido. Mas isso não impede que o professor acompanhe continuamente o progresso dos estudantes por meio da observação, de perguntas bem planejadas e de feedback imediato.

No fim das contas, uma boa avaliação não serve apenas para atribuir uma nota.

Ela existe para ajudar o aluno a aprender melhor.

Vale a pena fazer uma certificação Cambridge?

Sem dúvida.

Muitas pessoas acreditam que só devem prestar um exame de Cambridge quando atingirem a fluência.

Na verdade, os exames foram criados justamente para acompanhar o desenvolvimento do estudante ao longo de toda a sua jornada.

Há certificações para diferentes níveis de proficiência, permitindo que cada conquista seja reconhecida oficialmente.

Esses certificados são aceitos por universidades, empresas e instituições em diversos países e representam uma referência internacional da competência linguística do candidato.

Mais importante do que esperar pelo momento perfeito é continuar evoluindo.

Cada etapa vencida representa uma conquista real.

O professor orienta. Quem aprende é o aluno.

Talvez essa tenha sido a maior mensagem deixada pelo Cambridge Day Brasil.

O professor pode preparar boas aulas.

Pode escolher excelentes materiais.

Pode explicar, orientar, incentivar e oferecer oportunidades de prática.

Mas ninguém aprende inglês no lugar do aluno.

A aprendizagem depende de curiosidade, dedicação, disciplina e prática constante.

O professor aponta o caminho.

Quem percorre esse caminho é o estudante.

Conclusão

Ao terminar o Cambridge Day Brasil, fiquei ainda mais convencido de que ensinar inglês hoje significa muito mais do que ensinar gramática.

Significa construir ambientes em que as pessoas possam aprender com confiança, sentir que pertencem ao grupo, desenvolver autonomia e descobrir novas oportunidades por meio da educação.

Também foi inspirador ver o IBEU representado por Vania Furtado, conversar com meu colega Juan Garcia sobre a edição realizada no Rio de Janeiro e acompanhar palestrantes como Ben Goldstein, cuja contribuição para materiais como a série Evolve influencia professores em diversos países.

Saí do evento com novas ideias para aplicar em sala de aula e com a certeza de que o ensino de idiomas continua evoluindo quando pesquisa, colaboração, inovação e compromisso social caminham juntos.

Se você estuda inglês, continue avançando um passo de cada vez.

Se você é professor, continue aprendendo tanto quanto ensina.

É assim que todos crescemos.


Sobre o autor

Sergio Viula é professor de inglês, criador do Grammar Drops e docente do IBEU (Instituto Brasil–Estados Unidos). Atua na formação de adolescentes e adultos e produz conteúdos sobre língua inglesa, pronúncia, vocabulário, gramática, metodologia de ensino e aprendizagem de idiomas.

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