"Por que estou deixando a sala de aula" — Um relato honesto de uma professora

"Por que estou deixando a sala de aula" — Um relato honesto de uma professora

Ela está deixando o magistério.
Veja por quê.

VÍDEO DE ONDE SAIU O TEXTO (INGLÊS):


Esta não será mais a minha sala de aula depois de sexta-feira. Estou deixando a profissão. Já pedi demissão — sexta-feira é meu último dia. Ainda falta cerca de um mês para o fim do ano letivo, mas eu não estarei lá para terminá-lo.

E não saí porque não me importo. Saí porque o sistema está quebrado.

Uma crise sistêmica

Você está prestes a ouvir um desabafo brutalmente honesto de uma professora que ama trabalhar com estudantes, mas não consegue mais ignorar o que está acontecendo.

Como colega educador(a), quero destacar os padrões mais profundos por trás do que ela está dizendo — porque ela não está sozinha.

Isso é maior do que uma professora. É um sinal de alerta.

A tecnologia está arruinando a educação

No meu distrito, todo aluno do 6º ao 12º ano recebe um iPad fornecido pela escola. Era para ser uma ferramenta revolucionária de aprendizagem. Mas a verdade? Está causando mais danos do que benefícios.

Os distritos escolares gastaram bilhões em programas de tecnologia individual, achando que os iPads transformariam a educação. Mas esqueceram de algo essencial: dispositivos não ensinam — professores sim.

Quando deixamos que as telas substituam a estrutura, perdemos as habilidades que as salas de aula existem para desenvolver.

De ferramentas de aprendizagem a máquinas de distração

No começo, achei que odiava a tecnologia porque os alunos se tornaram “crianças de iPad” — sempre grudados nas telas, usando-as para jogos e entretenimento em vez de estudar.
Isso é parcialmente verdade. Mas percebi que é mais profundo do que isso.

A tecnologia está contribuindo diretamente para a crise de alfabetização que vivemos hoje nos Estados Unidos.

Os alunos chegam à sala de aula treinados pelo TikTok, não pelos livros. Eles foram condicionados à estimulação constante — não ao pensamento profundo. O resultado? A atenção está diminuindo. A leitura está piorando. O engajamento com conteúdo significativo está quase desaparecendo.

Uma geração reprogramada

Muitos alunos não sabem mais ler fluentemente porque sempre tiveram algo ou alguém lendo para eles — ou apenas apertam um botão para ouvir o texto. Eles têm dificuldade em se concentrar. Querem barulho de fundo enquanto rolam o TikTok, não foco e reflexão.

Eu costumava adorar os “dias de filme” na escola. Para esses alunos, um “dia de filme” significa deixar um filme passando só como trilha sonora, enquanto navegam nas redes, colocam fones de ouvido e conversam com os amigos.

Mesmo quando planejo algo com significado, a maioria nem presta atenção. Não é porque são preguiçosos — é porque seus cérebros foram reprogramados. Isso não é apenas uma questão de disciplina — é neuroplasticidade. O modo como eles processam informação literalmente mudou.

Resistência ao aprendizado real

Pedir que escrevam um simples parágrafo à mão — cinco frases — vira motivo de crise. Eles reviram os olhos, se recusam. Estou falando de alunos do 2º ano do ensino médio. Eles querem digitar.

Por quê? Porque escrever exige pensar. Digitar permite colar, copiar ou usar IA.
Sim, entendo que a inteligência artificial será parte do futuro. Mas isso não justifica a falta de habilidades fundamentais — como escrever à mão, construir frases, pensar de forma independente.

A IA é uma ferramenta. Mas agora, virou muleta — um atalho para quem nunca desenvolveu a base da alfabetização.

O custo do analfabetismo

Se os alunos não sabem ler, se não se importam com leitura, se nunca aprendem vocabulário ou interpretação de texto, como vão entender o mundo? Como vão formar opiniões? Entender seus direitos? Escrever um currículo? Participar da democracia?

Eles não se importam. Não com o voto, não com mudar o mundo, nem com saber escrever um e-mail. Porque acham que os dispositivos farão tudo por eles.

A ilusão da competência

Esses jovens estão fracassando — não só na minha aula, mas na vida. Os dispositivos dão uma ilusão de competência. Mas, sem as telas, eles não conseguem se expressar, não conseguem escrever com clareza, não conseguem pensar criticamente. Estão dependentes.
Nós, adultos, falhamos com eles. Não mostramos o valor de saber ler, escrever, fazer contas básicas. E agora eles acham que o celular vai resolver tudo.

Um apelo urgente

Aos que têm poder de decisão nos distritos escolares: Por favor, ouçam. Não só a mim, mas aos milhões de professores que sentem o mesmo.

Olhem os dados. As taxas de alfabetização. Compare com os tempos em que os alunos não usavam tecnologia o tempo todo.

Não há nada de errado em investir em livros, apostilas, papel. Nada de errado em começar isso no ensino fundamental e levar até o ensino médio. Pode levar 20 anos. Tudo bem. Mas temos que começar agora.

Por que estou saindo

Se você leu até aqui e está se perguntando por que estou deixando a sala de aula — não foi só pelo salário, embora isso conte. Eu amo trabalhar com adolescentes. Amo ensinar.
Mas a tecnologia arruinou tudo.

O comportamento dos alunos — também resultado da tecnologia — arruinou tudo.
E embora eu talvez conseguisse aguentar o baixo salário se o trabalho ainda fosse gratificante, a experiência como um todo se tornou insustentável.

Uma mensagem final

Ela não saiu porque não se importava.

Ela saiu porque se importava demais. O suficiente para falar. O suficiente para soar o alarme.

O que ela viveu — burnout, desilusão, impotência — está acontecendo com milhares de professores agora.

Essa geração é difícil de ensinar. E eu admito — não sou forte o suficiente para continuar.
Aos que estão começando agora como professores: admiro vocês. Respeito vocês. E espero que sejam mais fortes do que eu fui.

Mas se você está pensando “Ela está exagerando”, olhe os dados:

  • As taxas de alfabetização estão caindo.
  • O burnout dos professores está aumentando.
  • A capacidade de atenção está diminuindo.
E ainda assim fingimos que está tudo bem.

Se quisermos salvar a educação pública, precisamos ouvir os professores que estão indo embora. Suas histórias são alertas. Suas saídas são bandeiras vermelhas.

E suas vozes importam.

VÍDEO DE ONDE SAIU O TEXTO (INGLÊS): https://youtu.be/lo-2VUZ0Jkk


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